Marcelo Falcão inicia neste sábado (8), na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, a turnê ‘O Legado’, projeto que marca uma nova etapa de sua carreira solo após mais de três décadas na música brasileira. A apresentação, realizada em parceria com a produtora 30e, abre uma série de quatro shows por capitais do país e reúne elementos da trajetória do cantor, incluindo lembranças da época d’O Rappa, reflexões sobre longevidade artística e um olhar especial para a relação com o filho, Tom Falcão.
A nova turnê acompanha a fase do álbum mais recente do artista e passará ainda por Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. Mais do que uma sequência de apresentações, o projeto representa para Falcão uma oportunidade de revisitar sua história e mostrar ao público como diferentes momentos de sua carreira continuam conectados no palco.
A escolha do nome ‘O Legado’ também dialoga com a ideia de continuidade. Aos 30 anos de trajetória, o cantor olha para o passado sem deixar de considerar os caminhos que ainda pretende percorrer na música. Nesse processo, a experiência acumulada com O Rappa aparece como uma das bases de sua identidade artística.
Uma nova turnê com olhar para o futuro
A estreia no Rio de Janeiro acontece na véspera do Dia dos Pais e ganha um significado adicional para o cantor por conta da presença do filho em sua rotina. Tom Falcão tem sete anos, começou a estudar piano e já demonstra uma relação espontânea com a música.
Segundo o artista, o menino não consegue ouvir uma música sem acompanhar o ritmo com o corpo. A característica, inclusive, faz com que Falcão reconheça no filho um comportamento que sua própria mãe identificava nele durante a infância.
“Minha mãe fala que, quando eu era menor, eu era igual ao meu filho: ele não consegue ouvir música parado. Ele não anda… Ele vai dançando, vai na frente da gente fazendo o swing. Botou uma música, acabou”, conta.
A lembrança estabelece uma espécie de ligação entre diferentes gerações da família. Se Falcão encontrou na música uma forma de expressão desde cedo, ele agora observa no filho sinais semelhantes, mas evita transformar essa identificação em uma obrigação.
A preocupação do cantor é permitir que Tom descubra a música de maneira natural, sem pressão para seguir uma carreira artística.
Tom Falcão cresce cercado por instrumentos
Dentro de casa, Falcão mantém os instrumentos disponíveis para que o filho tenha contato com a música de forma espontânea. O estúdio do cantor, segundo ele, não é tratado como um ambiente restrito ao trabalho.
Piano, bateria e outros instrumentos ficam à disposição de Tom quando ele entra no espaço. A intenção é que o menino possa experimentar, brincar e desenvolver sua própria relação com os sons.
“Eu deixo o estúdio ligado: piano, bateria, tudo ligado. Quando ele chega, já entra, já se sente. Eu falo: ‘Isso aqui é teu, cara, isso aqui é o teu negócio’”, explica.
A postura revela uma diferença importante entre incentivar e impor. Falcão não demonstra preocupação em definir desde já qual será o caminho profissional do filho. O mais importante, segundo ele, é oferecer condições para que Tom tenha liberdade para descobrir aquilo de que gosta.
“Acho que o Tom já tem isso de natural, como foi natural em mim. Ele ouve uma música, gosta da batida, da melodia e cai para dentro. Eu não imponho. Prefiro deixar ele nesse meio.”
O contato cotidiano com instrumentos também reforça uma das características mais pessoais de ‘O Legado’: a ideia de que o legado artístico não está apenas nas músicas que chegam ao público, mas também nas experiências transmitidas dentro de casa.
Três décadas de música e identidade
A trajetória de Marcelo Falcão está diretamente ligada a uma das bandas mais importantes do rock brasileiro. Ao longo de sua carreira com O Rappa, o cantor ajudou a construir uma sonoridade que transitava por diferentes influências e alcançou um público amplo no país.
Com a mudança para a carreira solo, Falcão passou a desenvolver uma identidade própria sem abandonar completamente os elementos que fizeram parte de sua formação.
A experiência acumulada em mais de 30 anos de estrada também influencia sua percepção sobre as transformações do mercado musical. O cenário atual oferece ferramentas diferentes para artistas produzirem, divulgarem e distribuírem suas músicas, mas, na avaliação do cantor, nenhuma dessas mudanças substitui a necessidade de ter uma identidade definida.
A autenticidade, portanto, aparece como uma espécie de fio condutor entre passado e presente.
Para um artista que atravessou diferentes períodos da indústria fonográfica e chegou à era das plataformas digitais, a capacidade de permanecer fiel à própria essência se torna ainda mais relevante. A ideia de legado, nesse contexto, deixa de ser apenas uma referência ao passado e passa a representar também aquilo que continua sendo construído.
O legado que chega ao palco
A turnê que leva o mesmo nome dessa ideia pretende transformar a experiência acumulada por Falcão em um espetáculo. O repertório está relacionado à fase atual do artista, mas também dialoga com a história construída ao longo de sua carreira.
Outro momento de destaque será a homenagem a Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr., que será lembrado no repertório. A escolha reforça a conexão de Falcão com a história do rock brasileiro e com artistas que fizeram parte de uma mesma geração musical.
O tributo também amplia o caráter afetivo da apresentação. Ao revisitar referências que atravessaram sua trajetória, Falcão estabelece uma ponte entre diferentes gerações de fãs e entre momentos distintos da música brasileira.
A proposta não é apenas apresentar novas canções, mas colocar em perspectiva uma caminhada que começou décadas atrás e continua encontrando novos caminhos.
Rio de Janeiro abre série de quatro apresentações
A primeira apresentação de ‘O Legado’ será realizada neste sábado (8), na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. A escolha da capital fluminense para abrir a turnê também coloca a cidade em uma posição especial dentro da nova fase do cantor.
Depois da estreia, o projeto seguirá para outras três capitais brasileiras: Porto Alegre, São Paulo e Curitiba.
A circulação nacional amplia a proposta da turnê e leva a diferentes públicos um espetáculo que combina a produção mais recente de Falcão com referências de sua trajetória.
A parceria com a produtora 30e também integra a estrutura do projeto, que chega aos palcos em um momento simbólico para o cantor. Mais de 30 anos depois do início de sua caminhada profissional, Falcão apresenta uma turnê que olha para aquilo que construiu, mas também para o que ainda pode deixar como contribuição à música brasileira.
Música como herança entre gerações
A relação entre Falcão e Tom acrescenta uma camada pessoal ao conceito de legado. Aos sete anos, o menino ainda está em uma fase de descoberta, mas já demonstra interesse por instrumentos e pelo universo musical.
O pai, por sua vez, prefere não antecipar decisões. Em vez de estabelecer expectativas profissionais, oferece acesso aos instrumentos e permite que o filho desenvolva sua própria relação com a música.
Essa postura também ajuda a explicar o significado mais amplo do título da turnê. Um legado artístico pode estar presente em discos, shows e repertórios, mas também em hábitos, memórias e experiências compartilhadas.
Ao observar Tom dançando ao ouvir uma música, Falcão encontra uma lembrança de sua própria infância. A música, nesse caso, aparece antes da profissão. É primeiro uma forma de sentir, brincar e se expressar.
Essa espontaneidade é justamente o que o cantor procura preservar no filho.
Uma carreira construída sobre autenticidade
Ao completar mais de três décadas de carreira, Marcelo Falcão parece interessado em olhar para sua trajetória sem transformar o passado em uma prisão. A experiência com O Rappa, a carreira solo, as mudanças no mercado e a chegada de uma nova geração dentro de sua própria família fazem parte de uma mesma narrativa.
A decisão de manter a equipe técnica depois da pausa d’O Rappa ajudou a garantir continuidade ao trabalho. A defesa da autenticidade explica, para o próprio cantor, parte de sua permanência na música. E a relação com Tom mostra que o legado também pode ser construído de maneira íntima, longe dos palcos.
‘O Legado’, portanto, representa mais do que o nome de uma turnê. É uma síntese de diferentes dimensões da trajetória de Falcão: a experiência profissional, as relações construídas ao longo dos anos, as referências musicais e a possibilidade de transmitir essa paixão para uma nova geração.
Com a estreia no Rio de Janeiro e apresentações previstas em outras três capitais, o cantor inicia mais um capítulo de uma carreira que já atravessou diferentes momentos da música brasileira. O desafio agora é transformar essa história em espetáculo e, ao mesmo tempo, continuar construindo aquilo que um dia será lembrado como seu próprio legado.












