A RBS TV exibe neste sábado (10), logo após o programa Altas Horas, o documentário Planeta Atlântida: 30 Verões Criando Memórias, produção original da ATL TV que mergulha na trajetória de um dos festivais de música mais longevos do Brasil. A obra também ficará disponível no Globoplay e propõe uma viagem afetiva e histórica pelos 30 anos de um evento que se tornou símbolo do verão e da cultura musical no Rio Grande do Sul.
Criado em 1996 para celebrar os 20 anos da rádio Atlântida, o Planeta Atlântida nasceu como uma comemoração pontual, mas rapidamente ganhou proporções muito maiores. Ao longo das últimas três décadas, atravessou gerações, estilos musicais, transformações tecnológicas e mudanças no comportamento do público, reunindo milhares de pessoas em torno da música, do entretenimento e de experiências que marcaram época. O documentário resgata esse percurso, mostrando como o festival deixou de ser apenas um evento musical para se transformar em um verdadeiro fenômeno cultural.
Produzido pelo Núcleo Audiovisual do Entretenimento e Técnica do Grupo RBS, em parceria com a DC Set Group, o projeto revisita momentos históricos que ajudam a explicar como o Planeta Atlântida se consolidou como parte fundamental do calendário cultural gaúcho. A narrativa é construída a partir de entrevistas, imagens de arquivo e relatos que conectam passado, presente e futuro do festival.
Depoimentos que ajudam a contar a história
A produção se apoia em depoimentos de profissionais da RBS, da DC Set Group e de equipes de produção que acompanham os bastidores do Planeta desde as primeiras edições. São relatos que revelam desafios, decisões estratégicas e curiosidades que ajudam a compreender a dimensão do evento ao longo dos anos.
Artistas que marcaram a história do festival também têm espaço de destaque no documentário. Entre eles estão nomes como Armandinho, Rogério Flausino e Paulinho Fonseca, da Jota Quest, Samuel Rosa, Teto e Lucas Silveira, da Fresno. Além disso, o filme traz a visão dos chamados “planetários”, fãs que cresceram acompanhando o festival e que ajudam a traduzir o impacto do Planeta Atlântida na vida de quem frequenta o evento desde cedo.
“Podemos contar a história do Skank através do Planeta”, resume Samuel Rosa em um dos depoimentos presentes na obra. A frase sintetiza bem a proposta do documentário: mostrar como o festival também serviu de palco para a consolidação e a evolução de grandes nomes da música brasileira, acompanhando fases distintas de suas carreiras.
Bastidores, estrada e memória audiovisual
Para dar conta dessa narrativa ampla, o projeto envolveu diferentes equipes de produção que passaram por estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. O objetivo foi registrar depoimentos em locais que ajudassem a contextualizar as histórias contadas, aproximando ainda mais o espectador da trajetória do festival.
Ao todo, foram gravadas cerca de 25 horas de entrevistas, um volume significativo de material que permitiu uma curadoria cuidadosa das falas e histórias apresentadas no documentário. Esse conteúdo foi complementado por dezenas de materiais de arquivo, que ampliam a narrativa e aprofundam o mergulho histórico na evolução do Planeta Atlântida.
Entre os destaques estão lembranças de shows emblemáticos que ficaram marcados na memória do público, como as apresentações de Mamonas Assassinas, Rita Lee e Tim Maia. O documentário também resgata curiosidades e episódios menos conhecidos, como o perrengue da primeira edição, que exigiu uma drenagem de última hora devido às fortes chuvas que atingiram o local do evento.
Histórias que viraram lenda
Uma das passagens mais curiosas retratadas na produção envolve Rogério Flausino e Paulinho Fonseca, da Jota Quest, e o cantor Tim Maia. Os artistas lembram que a banda foi “rebatizada” durante o festival por ninguém menos do que o Síndico.
Segundo o relato, o grupo, que na época ainda se chamava J. Quest, assistia ao show de Tim Maia bem em frente ao palco quando seguranças pediram para que eles se retirassem do local. Ao perceber a situação, Tim Maia interveio e disse: “Deixa a galera do Jota Quest à vontade para ver o show”. A partir desse episódio, o nome da banda passou a ser Jota Quest, como é conhecido até hoje.
Gustavo Sirotsky, diretor artístico do Planeta Atlântida, relembra a história no documentário e destaca que, atualmente, a Jota Quest é a atração nacional que mais vezes subiu ao palco principal do festival, o que reforça a relação simbólica entre a banda e o evento.
Um festival que cresce com o público
Ao longo de 30 anos, o Planeta Atlântida acompanhou mudanças profundas no mercado musical e no comportamento do público. O documentário mostra como o festival soube se reinventar, abrindo espaço para novos gêneros, artistas emergentes e diferentes experiências, sem perder sua identidade original.
Essa capacidade de adaptação é apontada como um dos principais fatores para a longevidade do evento. Ao mesmo tempo em que mantém laços fortes com o rock e o pop, gêneros que marcaram suas primeiras edições, o Planeta passou a incorporar outros estilos e linguagens, dialogando com as transformações da indústria da música e com as novas gerações de fãs.
Os “planetários”, como são chamados os frequentadores do festival, aparecem como personagens centrais dessa história. Muitos deles cresceram acompanhando o evento, criando memórias afetivas que se misturam com a própria história do verão gaúcho. O documentário dá voz a essas experiências, reforçando o caráter geracional do Planeta Atlântida.

Rumo aos 30 anos do festival
Em 2026, o Planeta Atlântida completa oficialmente 30 anos e promete mais uma edição histórica no litoral norte do Rio Grande do Sul. O festival acontece nos dias 30 e 31 de janeiro e já tem atrações confirmadas de peso, como Anitta, Alok, Matuê, Jota Quest e João Gomes.
Os ingressos estão disponíveis no site oficial do evento e também nas lojas Renner credenciadas. A expectativa é de mais uma edição com grande público, reforçando o status do Planeta Atlântida como o maior festival de música do Sul do país.
Desde 1996, o evento acontece na sede campestre da Saba, na praia de Atlântida, e já recebeu mais de 1,4 mil atrações nacionais e internacionais, de diferentes estilos musicais. Ao longo de sua história, foram mais de 900 horas de música levadas aos palcos, consolidando o festival como o encontro mais aguardado do verão gaúcho.

Um patrimônio cultural do verão gaúcho
O documentário Planeta Atlântida: 30 Verões Criando Memórias não se limita a contar a história de um festival. Ele propõe uma reflexão sobre a importância do evento para a cultura do Rio Grande do Sul e para a música brasileira. Ao revisitar três décadas de histórias, o filme mostra como o Planeta Atlântida se tornou um espaço de encontros, descobertas e celebrações que atravessam gerações.
Ao chegar aos 30 anos, o festival reafirma seu papel como um patrimônio cultural do verão gaúcho, mantendo viva a conexão entre música, público e memória. A exibição na RBS TV e a disponibilidade no Globoplay ampliam o alcance dessa história, permitindo que novos públicos conheçam ou revivam momentos que ajudaram a construir a identidade do Planeta Atlântida.















