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Sinapses estreia como a primeira série do mundo produzida inteiramente com inteligência artificial

A série Sinapses chega ao público como um marco inédito no audiovisual contemporâneo ao se apresentar como a primeira produção seriada do mundo criada integralmente com o uso de inteligência artificial. Da concepção visual à trilha sonora, passando pela geração de imagens, vídeos e design sonoro, todo o processo criativo foi desenvolvido com IA como ferramenta central. O projeto estreia em fevereiro no YouTube e propõe uma nova forma de pensar narrativa, memória e linguagem audiovisual em um cenário cada vez mais atravessado pela tecnologia.

Criada e dirigida por Eduardo Pardell, pioneiro no Brasil na aplicação de inteligência artificial à produção audiovisual e fundador da Aka Stars, Sinapses acompanha a trajetória de um homem que revisita episódios quase esquecidos da própria vida. Ao reorganizar essas lembranças fragmentadas, o personagem passa a compreender como experiências aparentemente desconectadas ajudaram a moldar quem ele se tornou. A série aposta em uma narrativa ágil, bem-humorada e reflexiva, que convida o espectador a pensar sobre tempo, identidade e o sentido que só atribuímos à vida quando olhamos para trás.

Um feito inédito no audiovisual mundial

O principal diferencial de Sinapses está em seu processo de produção. Ao contrário de obras que utilizam inteligência artificial apenas em etapas pontuais, a série foi concebida inteiramente com o apoio da tecnologia, da ideia inicial à finalização. Isso inclui geração de imagens e vídeos, trilha sonora original, design sonoro e construção estética dos episódios.

O projeto se posiciona como um experimento narrativo e tecnológico, explorando a IA não como um recurso aleatório, mas como uma ferramenta criativa controlada, sensível e orientada por decisões humanas. A proposta, segundo os idealizadores, é mostrar como a tecnologia pode ampliar possibilidades expressivas sem substituir a intenção artística.

Nesse contexto, Sinapses se insere em um debate atual sobre os limites e potenciais da inteligência artificial na cultura e nas artes, apontando caminhos para novas linguagens audiovisuais.

Narrativa construída a partir da memória

A história de Sinapses é estruturada a partir de memórias fragmentadas. O protagonista revisita diferentes momentos de sua vida, nem sempre de forma linear ou precisa, refletindo o funcionamento real da memória humana. Longe de uma narrativa cronológica tradicional, a série aposta em conexões subjetivas entre episódios, sensações e lembranças.

Esse formato permite que o público acompanhe a reconstrução emocional do personagem, percebendo como pequenos acontecimentos, muitas vezes esquecidos, acabam tendo impacto decisivo na formação da identidade. O tom leve e bem-humorado equilibra a densidade temática, tornando a experiência acessível e envolvente.

Ao assumir lacunas, distorções e imperfeições como parte da linguagem estética, Sinapses transforma a própria falha da memória em recurso narrativo, reforçando o caráter autoral da obra.

Produção enxuta e altamente tecnológica

Outro aspecto que chama atenção é o modelo de produção adotado pela série. Sinapses foi realizada por uma equipe de apenas duas pessoas, evidenciando como a inteligência artificial pode otimizar processos e viabilizar projetos que, em modelos tradicionais, demandariam grandes equipes e altos orçamentos.

Um dos pilares do desenvolvimento foi a pesquisa iconográfica aprofundada. Fotografias pessoais, referências históricas, figurinos, objetos e paisagens de cada época retratada serviram como base para a construção visual da série. Esse cuidado garantiu coerência estética, precisão temporal e fidelidade emocional às memórias reconstruídas.

A partir dessa base, as ferramentas de IA foram utilizadas para gerar imagens e vídeos que dialogam diretamente com o material pesquisado, evitando soluções genéricas e reforçando a identidade visual da obra.

Estética que incorpora imperfeições

Diferentemente de produções que buscam uma estética hiper-realista ou tecnicamente “perfeita”, Sinapses assume as imperfeições como parte fundamental de sua linguagem. Variações visuais, pequenas distorções e inconsistências são incorporadas de forma consciente, refletindo a natureza subjetiva das lembranças humanas.

Essa escolha estética reforça o conceito da série e diferencia o projeto dentro do universo de produções com inteligência artificial, muitas vezes associadas a resultados padronizados. Em Sinapses, a tecnologia é usada para reconstruir memórias de maneira sensível, respeitando suas falhas e ambiguidades.

Trilha sonora e design sonoro autorais

Além do aspecto visual, a série se destaca pela trilha sonora original e pelo design sonoro desenvolvido especialmente para o projeto. O som desempenha papel central na construção da atmosfera e na condução emocional da narrativa, dialogando com as imagens geradas por IA.

O design sonoro foi pensado para acompanhar as mudanças de tempo, humor e memória do protagonista, reforçando a sensação de deslocamento entre diferentes fases da vida. A trilha não apenas ilustra as cenas, mas participa ativamente da narrativa, ampliando o impacto sensorial da obra.

Estreia no YouTube e exibição contínua

Sinapses será exibida exclusivamente no YouTube, no canal oficial da série, com novos episódios disponibilizados semanalmente. A escolha da plataforma reforça o caráter experimental e acessível do projeto, permitindo que o público acompanhe a série gratuitamente e de forma global.

O trailer oficial já está disponível no canal da produção e antecipa a proposta estética e narrativa da obra, apresentando ao público um primeiro contato com o universo construído por inteligência artificial.

Eduardo Pardell e a trajetória com IA

Criador e diretor de Sinapses, Eduardo Pardell é um dos principais nomes do uso de inteligência artificial no audiovisual brasileiro. Fundador da Aka Stars, estúdio especializado em projetos que combinam talento humano e tecnologia, Pardell atua desde 2021 no desenvolvimento de imagens sintéticas, humanos digitais e novas linguagens visuais.

Entre seus projetos recentes está o AI Squad, lançado em 2024, considerado a primeira plataforma no Brasil a licenciar a imagem de celebridades, influenciadores, atores e atletas como digital twins. Outro destaque é o Hub da Copa, previsto para 2025, voltado à criação de conteúdo em IA para marcas durante a Copa do Mundo FIFA 2026.

Pardell também é responsável por Chuteira, ainda inédita, apontada como a primeira minissérie vertical produzida com inteligência artificial no Brasil. Sua trajetória inclui ainda projetos experimentais e campanhas em IA para marcas como Bet Nacional, Campari, Motorola, Bacardi, Melitta, Bombay Sapphire e Aston Martin.

Reconhecimento internacional e projetos autorais

Em 2023, Eduardo Pardell recebeu menção honrosa no Stability Challenge com The Court, videoclipe musical criado com inteligência artificial para o lançamento da turnê mundial I/O de Peter Gabriel. O reconhecimento internacional reforçou sua posição como um dos criadores mais inovadores no uso artístico da IA.

Essa bagagem criativa se reflete diretamente em Sinapses, que sintetiza anos de pesquisa, experimentação e desenvolvimento de linguagem audiovisual em ambientes digitais e sintéticos.

Uma série que dialoga com o futuro

Mais do que um produto de entretenimento, Sinapses se apresenta como um estudo sobre memória, identidade e tecnologia. Ao utilizar inteligência artificial como ferramenta criativa central, a série levanta discussões sobre autoria, processos artísticos e o futuro da produção audiovisual.

O projeto aponta para um cenário em que a tecnologia não elimina o papel do criador, mas amplia suas possibilidades, permitindo narrativas mais pessoais, experimentais e acessíveis. Nesse sentido, Sinapses se coloca como um laboratório criativo que pode influenciar futuras produções no Brasil e no exterior.

Ficha técnica e informações principais

Sinapses é uma série dos gêneros drama e comédia, criada, dirigida, roteirizada e narrada por Eduardo Pardell. O design sonoro é assinado por Lorenzo Pardell, e a produção é da Aka Stars. A estreia acontece no YouTube, com episódios semanais disponibilizados no canal oficial da série.

Com uma proposta inovadora e linguagem autoral, a produção chega ao público como um dos projetos mais ousados do audiovisual recente, abrindo espaço para novas discussões sobre o papel da inteligência artificial na criação artística.

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