O programa “Voz da Consciência”, apresentado por Péricles, chega ao fim de sua primeira temporada com um episódio especial e simbólico, exibido no dia 20 de dezembro, às 23h45, no Multishow, e no dia 23 de dezembro, às 21h, no Canal BIS. No capítulo final, a dinâmica se inverte: desta vez, Péricles deixa a posição de entrevistador e assume o papel de convidado em uma conversa conduzida por Ailton Graça, tendo como terceira voz do encontro a cantora, compositora e pesquisadora Maíra da Rosa. O episódio celebra o samba, as trajetórias individuais e coletivas e o legado da música negra paulista como expressão de memória, resistência e pertencimento cultural.
Um encerramento marcado pela escuta e pela troca
Desde sua concepção, “Voz da Consciência” se propôs a ser mais do que um programa musical. A atração nasceu com a missão de criar um espaço de escuta qualificada, onde artistas pudessem compartilhar histórias de vida, formação e identidade a partir da música negra brasileira. No último episódio da temporada, essa proposta ganha ainda mais força ao colocar Péricles, idealizador e apresentador do projeto, no centro da conversa.
A condução fica a cargo de Ailton Graça, artista multifacetado que reúne em sua trajetória o trabalho como ator, cantor, comediante e sambista. Com sensibilidade e atenção às nuances do diálogo, ele conduz a conversa de forma afetuosa, permitindo que reflexões profundas sobre ancestralidade, território e pertencimento emergem de maneira orgânica.
Ao lado deles está Maíra da Rosa, integrante do grupo Samba de Dandara e reconhecida por sua atuação na valorização da presença feminina no samba. Cantora, compositora e pesquisadora, Maíra traz ao encontro uma perspectiva que une vivência artística e reflexão histórica, ampliando o debate sobre o papel do samba na construção da identidade negra paulista.
Péricles revisita a própria trajetória
Ao longo do episódio, Péricles compartilha momentos decisivos de sua trajetória no samba, desde os primeiros contatos com a música até a consolidação como um dos principais nomes do gênero no país. Em tom intimista, ele fala sobre formação artística, influências e a responsabilidade de carregar um legado que ultrapassa o sucesso individual.
O cantor reflete sobre como o samba foi, ao longo de sua vida, não apenas uma escolha profissional, mas um caminho de pertencimento e afirmação. A conversa evidencia como a música se torna um instrumento de continuidade cultural, conectando gerações e preservando histórias que, muitas vezes, não estão registradas nos livros, mas sobrevivem na oralidade e nos encontros.
Ailton Graça conduz essas memórias com cuidado, estimulando Péricles a falar não apenas sobre conquistas, mas também sobre desafios enfrentados ao longo da carreira, especialmente em um cenário cultural marcado por desigualdades e apagamentos históricos.
Maíra da Rosa e a força feminina no samba
A presença de Maíra da Rosa adiciona uma camada fundamental ao episódio final de “Voz da Consciência”. Ao compartilhar sua trajetória, ela destaca a importância da mulher no samba, um espaço historicamente marcado pela predominância masculina, mas que sempre contou com a atuação decisiva de mulheres negras na construção e preservação do gênero.
Maíra fala sobre sua formação como pesquisadora e sobre como o estudo da história do samba influencia diretamente sua produção artística. Para ela, cantar samba é também um ato político, de afirmação da memória e de resistência cultural. A artista reforça que reconhecer as mulheres do passado e do presente é essencial para compreender a riqueza e a complexidade do samba paulista.
O diálogo entre Maíra e Péricles evidencia pontos de convergência entre gerações e trajetórias distintas, mostrando como o samba se renova sem perder suas raízes, a partir do respeito à ancestralidade e da troca entre artistas.
Samba como expressão coletiva e memória viva
Um dos eixos centrais do episódio é a compreensão do samba como uma expressão coletiva, construída a partir de encontros, vivências e histórias compartilhadas. Longe de ser apenas um gênero musical, o samba aparece como um espaço de acolhimento, aprendizado e transmissão de valores.
Durante a conversa, os participantes refletem sobre o papel do território na formação cultural, especialmente da cidade de São Paulo, que abriga uma cena musical diversa e profundamente ligada às experiências da população negra. O samba paulista, muitas vezes ofuscado por narrativas centradas em outros estados, ganha protagonismo como uma expressão autêntica e potente.
O episódio final reafirma que o samba é, acima de tudo, uma linguagem de resistência, capaz de atravessar o tempo e se reinventar sem perder sua essência. Essa perspectiva dialoga diretamente com a proposta de “Voz da Consciência”, que busca valorizar a música negra brasileira a partir de suas raízes e de seus protagonistas.
Uma temporada marcada por encontros históricos
Gravada em São Paulo e exibida ao longo do mês da Consciência Negra e de dezembro, a primeira temporada de “Voz da Consciência” se consolidou como um espaço relevante de diálogo cultural na televisão brasileira. Ao longo dos episódios, Péricles recebeu artistas de diferentes gerações e vertentes, promovendo encontros que conectaram histórias pessoais à construção cultural da cidade.
Passaram pelo programa nomes como Thiaguinho, Jota.Pê, Jeniffer Nascimento, Liniker, Criolo, Magnú e Maurílio, do grupo Os Prettos, Luciana Mello, Paula Lima, Thaíde, Rael, Rappin Hood e Dexter. Além disso, representantes das tradicionais escolas de samba Vai-Vai e Camisa Verde e Branco também participaram da atração, reforçando o vínculo entre o samba, a comunidade e o território.
Esses encontros desenharam um retrato plural da música paulista e de suas raízes negras, evidenciando como diferentes linguagens musicais, como o samba e o hip hop, dialogam entre si a partir de experiências comuns de resistência e identidade.
Péricles destaca a importância do projeto
Ao avaliar a experiência à frente do programa, Péricles não esconde a emoção ao falar sobre o significado de “Voz da Consciência” em sua trajetória. Para ele, a atração representou uma oportunidade de ocupar um lugar diferente daquele que costuma estar nos palcos, permitindo uma escuta mais profunda e um aprendizado constante.
“O Voz da Consciência é um projeto muito especial para mim. Essa temporada celebrou grandes artistas e histórias que fazem parte da nossa cultura. É um programa que fala de música, mas também de legado, identidade e de tudo aquilo que nos forma como povo. Sempre estive no palco cantando, mas com calma, trocar e aprender com cada convidado me colocou em outro lugar. Cada encontro me enriqueceu muito”, afirma o cantor.
A declaração sintetiza o espírito do programa, que se afasta de formatos tradicionais de entrevistas para apostar em conversas que valorizam o tempo, a escuta e a troca de experiências.
Um legado que segue em construção
O último episódio de “Voz da Consciência” não se apresenta como um ponto final, mas como a reafirmação de um caminho. Ao reunir Péricles, Ailton Graça e Maíra da Rosa em uma conversa mediada pela música e pela memória, o programa reforça a importância de criar espaços onde a cultura negra possa ser narrada por seus próprios protagonistas.
O encerramento da temporada deixa como legado a valorização do samba paulista e de seus agentes, além de apontar para a necessidade de ampliar iniciativas que promovam a escuta e o reconhecimento da diversidade cultural brasileira.
Datas de exibição
O episódio final de “Voz da Consciência” vai ao ar no Multishow no dia 20 de dezembro, às 23h45. No Canal BIS, a exibição acontece no dia 23 de dezembro, às 21h.













