Estudo da Zig revela que 27% dos ingressos são adquiridos nas últimas 48 horas e aponta mudança no comportamento do consumidor de entretenimento no país
O brasileiro está cada vez mais deixando para a última hora a decisão de participar de shows, festivais, eventos esportivos e atrações culturais. É o que revela um levantamento inédito realizado pela Zig, empresa especializada em tecnologia para o mercado de entretenimento ao vivo. O estudo, divulgado em junho de 2026, analisou 13,4 milhões de ingressos vendidos em todo o país entre janeiro de 2024 e maio de 2026 e identificou que o comprador típico adquire seu ticket apenas cinco dias antes da realização do evento.
Os dados mostram uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro, que tem adotado uma postura mais imediatista na hora de decidir participar de experiências presenciais. Segundo o levantamento, 80% das compras são realizadas até 31 dias antes do evento e aproximadamente 27% dos ingressos são adquiridos nas últimas 48 horas.
A pesquisa analisou transações realizadas por meio das plataformas Zig Tickets e Whitelabel, abrangendo eventos de diferentes portes e segmentos em todas as regiões do país.
Compra de impulso ganha força no entretenimento
O estudo indica que a compra próxima à data do evento deixou de ser uma exceção e passou a representar um comportamento predominante entre os consumidores brasileiros.
Embora ainda exista uma parcela do público que se organiza com meses de antecedência, especialmente para grandes festivais, eventos sazonais e atrações muito concorridas, a maior parte das decisões ocorre em um intervalo bastante curto.
A pesquisa aponta que o consumo de entretenimento ao vivo está cada vez mais associado à conveniência e à flexibilidade. Questões como disponibilidade financeira, agenda pessoal, condições climáticas e até o interesse gerado pelas campanhas de divulgação próximas ao evento podem influenciar diretamente a decisão final de compra.
Para o CIO da Zig, David Pires, os números desmontam uma percepção comum do mercado.
“Existe uma percepção de que eventos são planejados com muita antecedência, mas os dados mostram outra realidade. O consumidor brasileiro decide cada vez mais próximo da data, o que reforça a importância de estratégias de comunicação e venda capazes de capturar essa demanda de última hora”, afirma.
Segundo o executivo, o comportamento se repete em diferentes regiões e perfis de público.
“Quando analisamos milhões de transações, percebemos que o entretenimento ao vivo se tornou uma decisão mais dinâmica. A compra de impulso deixou de ser exceção e passou a fazer parte da lógica de consumo do setor”, completa.
Diferenças aparecem entre os tipos de eventos
Apesar da tendência geral de compras de última hora, a antecedência varia significativamente conforme a categoria do evento.
As festas e baladas aparecem como as atrações que exigem maior planejamento por parte do público. Nesse segmento, a média entre a compra do ingresso e a realização do evento é de 103 dias.
Esse comportamento pode ser explicado pela grande quantidade de festas temáticas, eventos com lotes promocionais e festivais eletrônicos que costumam abrir vendas muitos meses antes da realização.
No extremo oposto estão os eventos esportivos e os parques de entretenimento. Nessas categorias, a média de antecedência é de apenas seis e sete dias, respectivamente.
O estudo mostra que esses segmentos concentram uma participação significativa de compras realizadas nos dias imediatamente anteriores ao evento, reforçando a tendência de decisões rápidas e espontâneas.
Especialistas do setor apontam que fatores como promoções de última hora, disponibilidade de tempo livre e facilidade de compra digital ajudam a impulsionar esse comportamento.
Nordeste lidera compras antecipadas
As diferenças regionais também chamam atenção no levantamento da Zig.
O Norte do país apresentou o perfil mais impulsivo entre todas as regiões analisadas. Por lá, os consumidores compram seus ingressos, em média, apenas 9,7 dias antes do evento.
Já o Nordeste registrou o maior nível de planejamento. A antecedência média chega a 121 dias, um número significativamente superior à média nacional.
De acordo com o estudo, esse resultado está diretamente relacionado ao calendário de grandes eventos regionais, especialmente o Carnaval e as festas juninas, que tradicionalmente iniciam a comercialização dos ingressos muitos meses antes da realização.
Além disso, eventos turísticos de grande porte costumam atrair visitantes de outras cidades e estados, o que exige maior organização logística e favorece compras antecipadas.
Gerações apresentam comportamento semelhante
Um dos pontos mais curiosos da pesquisa é que a idade dos consumidores parece ter pouca influência sobre o momento da compra.
Contrariando a expectativa de que os mais jovens seriam mais impulsivos, o levantamento identificou padrões muito semelhantes entre diferentes gerações.
Gen Z, Millennials e Gen X apresentam praticamente a mesma mediana de compra, de cinco dias antes do evento.
Isso sugere que a transformação observada no consumo de entretenimento não está restrita a uma faixa etária específica, mas reflete uma mudança mais ampla na forma como os brasileiros tomam decisões relacionadas ao lazer.
A digitalização dos processos de compra, a popularização dos smartphones e o acesso facilitado às plataformas de venda de ingressos ajudam a explicar esse comportamento homogêneo entre diferentes públicos.
Tarde e noite concentram a maior parte das vendas
Além da antecedência das compras, o estudo também analisou os horários em que os consumidores mais adquirem ingressos.
Os dados mostram que existe um padrão bastante definido.
O pico de vendas ocorre às 16h. No entanto, o período entre 15h e 22h concentra a maior parte das transações, representando cerca de 57% de todos os ingressos vendidos.
A preferência por comprar durante a tarde e a noite pode estar relacionada aos momentos de pausa na rotina de trabalho ou estudo, quando os consumidores dedicam mais tempo ao planejamento de atividades de lazer.
Outro dado relevante é que os dias úteis concentram 76,3% de todo o volume de compras registrado pela plataforma.
O comportamento reforça a importância de campanhas de marketing e ações promocionais direcionadas para o período comercial, quando o público está mais propenso a concluir uma compra.
Dados ajudam a orientar estratégias do setor
Para organizadores de eventos, produtores culturais e empresas do segmento, os resultados oferecem informações importantes para o planejamento de vendas e campanhas de divulgação.
A predominância das compras de última hora exige estratégias mais dinâmicas, com ações de marketing distribuídas ao longo de toda a jornada de vendas e não apenas nos períodos iniciais de lançamento dos ingressos.
Além disso, o estudo reforça a necessidade de investimentos em tecnologia, automação de campanhas e análise de dados para identificar oportunidades de conversão próximas à data dos eventos.
Com o entretenimento ao vivo se consolidando como um dos setores mais relevantes da economia da experiência, compreender o comportamento do consumidor torna-se cada vez mais essencial para maximizar resultados e ampliar a participação de público.
Sobre a Zig
A Zig The Global Funtech atua no desenvolvimento de soluções integradas para o mercado de entretenimento ao vivo, oferecendo serviços de ticketing, gestão de consumo digital e inteligência de dados.
A empresa está presente em todos os estados brasileiros, no Distrito Federal e em outros três países. Ao longo de sua trajetória, participou de grandes eventos nacionais e internacionais, incluindo Fórmula 1 GP do Brasil, Rock in Rio, Lollapalooza, UFC, Olimpíadas Rio 2016, Festa do Peão de Barretos e Tomorrowland.
No segmento de venda de ingressos, a companhia também atua em festivais como Universo Spanta, Mainstreet Festival e STU, além de fornecer tecnologia para casas de espetáculos, bares e estabelecimentos de entretenimento em diversas regiões do país.












